Como as linhas de um barbante entrelaçado, cada uma encorpando a trama final, o termo “pensamento tentacular”, para a filósofa estadunidense Donna Haraway, pode narrar sobre criações e relações construídas de modo colaborativo, em combinações inesperadas, contextualizadas e singulares. Dos emaranhados de fios, podem surgir formatos e usos diversos: esta edição da MAJ – Mostra de Arte da Juventude representa ideia semelhante.
Dedicada a produções de jovens artistas, a longeva MAJ é incontornavelmente atravessada pelo tempo e suas transformações socioculturais, debates, perspectivas e vocabulários, de modo a se revisitar, vez em vez, para se aproximar da pluralidade de pessoas que a fazem existir.
A Mostra persiste há mais de trinta anos, e apesar da reincidência cronológica, se renova porque carrega consigo a fonte das juventudes – não aquela mitológica que impede o envelhecimento, mas uma que reconhece o tempo de modo espiralar e impulsiona possibilidades cheias de vir-a-ser: invenções de rota, retomadas, bifurcações, rizomas.
Nesta 31ª edição, foram 722 pessoas inscritas, cada uma ressoando o desejo de fazer valer suas ideias e criações; dessas, 46 foram selecionadas, representando 10 estados brasileiros no exercício coletivo de reflexão sobre fronteiras: geográficas, dos sistemas hegemônicos da arte, do que se imagina serem jovens e artistas, dos diálogos possíveis para uma arte literalmente contemporânea.
Em um projeto de curadoria atento às interseccionalidades, de modo que jovens em suas diversidades étnico-raciais, de gênero, orientação sexual, região, idade, corpos e narrativas se apresentem aqui, podemos nos perguntar: o que acontece quando pessoas se juntam?
Interessado em responder essa pergunta por meio da prática, o Sesc compreende sua ação cultural, fundamentalmente educativa, como oportunidade para o encontro, acreditando que o fomento à produção e circulação de jovens artistas pode promover experiências capazes de colaborar com as tramas de uma rede comum, engajada e sensível às pluralidades da vida.
Luiz Deoclecio Massaro Galina – Diretor do Sesc São Paulo
